sexta-feira, abril 21, 2017

SONS DOS MEUS LIVROS "AS MINHAS AVENTURAS NO PAÍS DOS SOVIETES":

SONS DE "AS MINHAS AVENTURAS NO PAÍS DOS SOVIETES":
"Em Moscovo havia duas comunidades portuguesas que estavam proibidas pela direcção do PCP de se cruzarem. Uma era constituída por estudantes de universidades e institutos superiores como eu e da outra faziam parte alunos das escolas do Partido Comunista da União Soviética, da Juventude Comunista (Komsomol) e dos Sindicatos. Mas estes não podiam contactar connosco pois viviam na clandestinidade na “pátria do socialismo”. Quando chegavam à URSS, mudavam de nome para dificultar ou impedir mesmo o trabalho da CIA norte-americana. Aconteciam coisas verdadeiramente ridículas. Num jogo entre o Dínamo de Moscovo e o Boavista, realizado na capital russa em Setembro de 1977 no âmbito da Taça da UEFA, um grupo dos lusos legais estava sentado nas bancadas do Estádio Lénine ao lado de um grupo de “clandestinos”, torcemos todos pelo Boavista, mas não trocámos sequer uma palavra. O mesmo aconteceu em 1983, quando a selecção nacional perdeu frente à congénere soviética por uns humilhantes 5-0.
P.S. Se alguém estiver interessado em receber o livro autografado pelo autor, pode contactar: viamilhazes@gmail. com.

domingo, abril 16, 2017

Sons dos meus livros: "A Mensagem de Fátima na Rússia"


A Páscoa na URSS


"Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão dessa escola superior....
Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser visto nos ecrãs".

Era assim!

segunda-feira, abril 10, 2017

Sons de "As minhas aventuras no País Sovietes". 2



Vladimir Vysotsky, uma das vozes mais rebeldes da era comunista. As comparações podem ser pouco fiéis, mas não será incorrecto compará-lo a José Afonso. Aqui, fica uma das canções que ele canta em francês: "Plus rien ne va" .
"Durante a realização dos Jogos Olímpicos, uma trágica notícia abalou a sociedade soviética: faleceu o bardo, poeta, escritor e actor russo Vladimir Vissotsky. Não obstante os órgãos de informação soviéticos praticamente terem escondido a notícia, muitos milhares de russos saíram para as ruas de Moscovo para prestar a última homenagem a essa figura sem a qual é impossível compreender a vida na União Soviética". In "AS MINHAS AVENTURAS NO PAÍS DOS SOVIETES".

quinta-feira, abril 06, 2017

OS SONS de: "As minhas aventuras no País dos Sovietes"


Caros amigos e leitores, a fim de completar o meu novo livro, decidi publicar sons que não posso transmitir por escrito. Espero que ajude o leitor a mergulhar na época e nas situações.


Cada revolução, cada profunda transformação social profunda tem o seu hino: a Revolução Francesa teve a Marselhesa, o 25 de Abril de 1974 teve a Grândola, vila morena!
Os grandes acontecimentos ocorridos na URSS entre 1985 e 1991 também tiveram o seu hino: "Mudanças! Queremos mudanças!", canção composta e interpretada por Viktor Tzoi, músico e actor de extraordinário que, infelizmente, faleceu muito jovem num acidente de ...viação.
No livro "As minhas aventuras no País dos Sovietes", analiso a importância das artes nas transformações sociais e, por isso, publico a letra desta canção.
Deixo aqui a tradução em versos brancos pois não sou poeta, mas gostaria que os leitores sentissem a força da letra e música desta histórica canção.


Em vez de calor, vidro verde,
Em vez de fogo, fumo.
Do calendário foi arrancado um dia.
O Sol vermelho queima tudo,
O dia arde com ele.
Na cidade em chamas cai a sombra.

Refrão:

Mudanças exigem nossos corações.
Mudanças exigem nossos olhos.
No nosso riso e nas lágrimas,
No pulsar das veias
Há mudanças!
Esperamos mudanças.


A luz eléctrica prolonga o nosso dia
E a caixa de fósforos está vazia.
Mas na cozinha arde a chama azul do gás.
Há cigarros, e chá sobre a mesa,
O esquema é simples.
E nada mais há, tudo está em nós.


Não podemos orgulhar-nos do olho da sabedoria
E de gestos hábeis das mãos,
Não precisamos de nada disso para nos compreender.
Há cigarros, e chá sobre a mesa,
Assim se fecha o círculo.
E, de repente, tememos mudar tudo.

sexta-feira, março 24, 2017

"Grande antifascista" Putin recebe a "ultra democrata" Marine Le Pen

NÃO SERÁ ISTO FALTA DE VERGONHA NA CARA OU PUTIN PENSA MESMO QUE TODOS SOMOS IDIOTAS.
Vladimir Putin, Presidente da Rússia e conhecido lutador contra o fascismo em todo o mundo, principalmente na Ucrânia, recebeu Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa. Atenção às justificações para tal acontecimento: "tentamos manter relações iguais tanto com representantes do poder vigente, como com representantes da oposição". Além disso, frisou: "Nós não queremos influir de forma... alguma nos acontecimentos correntes, mas chamamos a nós o direito de conversar com todos os representantes de todas as forças políticas do país, como fazem os nossos parceiros na Europa, nos Estados Unidos".
Será preciso mais algum comentário? Se a Europa e os EUA decidirem que o mundo é quadrado, Putin fará o mesmo.
P.S. Um conselho: senhores dirigentes do PNR, BE, PCP, etc., etc. inscrevam-se para uma recepção no Kremlin.








segunda-feira, março 06, 2017

As crianças não são feitas para a guerra




A educação do patriotismo é um dever de cada sociedade, mas nada de patriótico tem alimentar nas crianças o ódio contra os outros baseando-se em povos concretos.

Serguei Choigu, ministro da Defesa da Rússia anunciou, no final do mês passado, que o seu ministério tenciona construir nos arredores de Moscovo uma maquete do Reichstag para treinar os activistas do movimento “Iunarmia” (Exército Jovem), uma espécie de Putinjugend.

“Nós, no parque “Patriota” estamos a construir o Reichstag. Não em tamanho real. Para que os nossos jovens militares possam tomar de assalto um edifício concreto”, explicou o ministro.

Como é sabido, o Reichstag, edifício imponente no centro de Berlim, foi tomado pelas tropas soviéticas a 9 de Maio de 1945, e é considerado um dos mais importantes símbolos da vitória do Exército Vermelho sobre os nazis.

Mas o problema é que Serguei Choigu, talvez porque esteja mais ocupado com as guerras na Síria e na Ucrânia, se esqueceu que esse edifício alberga hoje o Parlamento da Alemanha reunificada.

As autoridades alemãs, perante tal “esquecimento”, chamaram a atenção do ministro russo para esse pormenor. Patricia Flor, funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemã, considerou o plano “estranho” e acrescentou que “esta ideia parece-me muito estranha, até porque, hoje, no Reischtag, reúne-se o Parlamento Alemão”. 

Até o politólogo alemão Alexandre Rahr, conhecido pelas boas relações com o Kremlin, considerou a ideia da tomada do Reischtag “estranha e inadequada”, frisando que “aí se reúne o Parlamento da Alemanha Democrática, que se demarcou do passado nazi”.

Não obstante, o Ministério da Defesa da Rússia, face a essa onda de indignação, manifestou perplexidade. O general-major Igor Konachenkov, porta-voz militar, aquele que nas conferências de imprensa comenta os êxitos da aviação russa na Síria, mesmo quando os pilotos erram o alvo, reagiu da seguinte forma: “os ataques a este propósito dos políticos alemães não só provocam perplexidade extrema, como nos obrigam a reflectir sobre quais as suas convicções reais sobre os “construtores” do Terceiro Reich em 1933-1945”.

Ou seja, os críticos da posição russa, no fundo, escondem as suas verdadeiras ideias em relação a Hitler e ao nazismo. Mas o mais estranho é que o Kremlin não utiliza a mesma linha de raciocínio para condenar aqueles que abertamente defendem posições políticas extremas. A reacção do general russo mais parece ser uma das formas para desviar a atenção da política de Putin de financiamento e apoio a grupos de extrema-direita e neo-nazis estrangeiros.

Desconhece-se, por enquanto, que outras maquetes irão ser instaladas no citado parque, mas certamente que lá não irá estar a sede do Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen, conhecida “combatente” contra o fascismo e pela democracia.

Suponho também que, pelo menos por enquanto, não haverá uma maquete da Trump Tower, e, a julgar pela quantidade crescente de revelações sobre os contactos pouco transparentes entre os homens de Donald Trump e serviços secretos e diplomatas russos, esse edifício em miniatura não deverá ser erigido. A não ser que…  As coisas mudam com tanta rapidez que vou deixar os prognósticos para mais tarde.

Poderia não valer a pena comentar esta afirmação do general russo se não se soubesse que o Kremlin revê descaradamente a história para justificar a sua política interna e externa. A cerca de um ano de eleições presidenciais, Vladimir Putin prepara mais uma vitória através de métodos tradicionais, populistas e demagogos: muito foi feito no plano interno, mas não fizemos mais porque os inimigos externos e a quinta coluna nos criam problemas com sanções, etc., mas tivemos grandes êxitos na política externa, pois mais de meio mundo tem medo de nós. 



P.S. Não ficarei surpreendido se alguém vier defender a ideia de Choigu dizendo que é melhor que as crianças “façam” guerras ao ar livre, para que pratiquem exercício físico, do que nos computadores. Acho as duas formas de treino desumanas, cruéis e anti-pedagógicas.

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Em memória de uma tragédia


As “lições” das tragédias

Não deve haver na Póvoa de Varzim qualquer família piscatória que não tenha perdido alguns dos seus entes queridos no terrível naufrágio de 27 de Fevereiro de 1892.
Quando passo por detrás da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, quase nunca esqueço de olhar uma vez mais e ler a "Supplica" gravada em azulejos pela alma das dezenas de homens do mar que partiram e não regressaram vivos. Foram 105 (cento e cinco pescadores) engolidos pelas ondas.

Deixo aqui aquilo que foi escrito por um dos mais ilustres estudiosos poveiros. António dos Santos Graça, na obra “Epopeia dos Humildes: para a história trágico-marítima dos poveiros” escreveu:

“ A tragédia de 27 de Fevereiro de 1892 fez mergulhar em negro o garrido trajar poveiro. Não houve lar onde não entrasse o luto. Heroicidade, abnegação, de tudo houve nesse dia de angústia! A tempestade surpreendeu as lanchas no mar da Cartola a sudoeste de Aveiro. Duas lanchas, a do tio Praga e a do tio Jéque, caminhavam a par, apenas com uma latina, a caminho do norte. Tinham que seguir como Deus fosse servido, porque não havia força humana que as pudesse desviar do seu curso tempestuoso. Sem um minuto de descanso, os homens das companhas esforçavam-se para deitar fora a água, que as vagas alterosas teimavam em atirar para dentro das embarcações. Os mestres eram compadres e amigos. As companhas afoitavam-se mutuamente para não esmorecerem. Mas uma – a do mestre Jéque – pelas alturas de Esposende, encheu-se de água e soçobra; a outra tenta, mas não pode acudir-lhe. É o mestre da que naufraga que grita:

– ‘Não tentes o socorro, compadre, que morreis todos. Deus te guie e leve a salvamento! Leva o último adeus para as nossas mulheres e nossos filhos! Até à eternidade, compadre!’

O velho mestre João Praga levantou a mão num gesto de despedida mas não respondeu. Duas lágrimas rolaram-lhe pela face – mas ninguém mais lhe ouviu uma palavra. Leme bem firme, todo o dia e toda a noite até ao alvorecer do dia seguinte, em que entrou em Vila Garcia, na Espanha. Salvou a companha. Dois dias depois chegava à Póvoa, de comboio. Após a tragédia nunca mais comeu, nunca mais falou. Oito dias depois da sua chegada – morria! A grande dor de não poder salvar – matou-o!...”





Como acontece depois de catástrofes de grandes dimensões, as autoridades prometem resolver todos os problemas e, dessa vez, anunciam o início da construção de um porto de abrigo na Póvoa de Varzim, mas prometer é fácil, custa a cumprir. 33 anos depois da tragédia, o sociólogo poveiro Vasques Calafate inicia uma intensa campanha em favor da construção do porto de pesca, apoiando a proposta do deputado Santos Graça para que se contraísse um empréstimo para a obra e sugerindo que se cativasse 50 por cento do rendimento do pescado e se impusesse um imposto progressivo de 5 a 100 escudos sobre prédios rústicos e urbanos para a amortizaçãoo do empréstiino. Nada feito, viva-se tempos difíceis e os políticos estavam mais virados para a luta pelo poder.

Em 1928 , graças ao grande trabalho do incansável Santos Graça, foi criada a Junta Autónoma do Porto da Póvoa de Varziin que nesse ano entrou em funcionamento. Pela denominada " Lei dos Portos”, este porto foi classificado de 2" classe e a Comissão de Obras Portuárias colocou-o em primeiro lugar, na zona norte, para ser construído.

O início das obras (imaginem!) teve lugar em 1935 e a construção, feita a conta gotas, terminou apenas em 1973. Primeiro foi o molhe norte, depois o molhe sul. Mas, mesmo assim, o porto parece inacabado. Ou melhor, as obras terminaram, mas a manutenção deixa muito a desejar. Em comparação com a imagem que guardo da minha infância, o porto de pesca da Póvoa parece ser uma pequena marina cada vez mais assoreada. Por isso, nos últimos anos, os pescadores morrem não por falta de portos de abrigo, mas por falta de condições seguras de entrada nas barras. A incúria continua a pagar-se cara e as tragédias não param de suceder.